10/08/2017- Produção de suco de laranja do Brasil deve crescer mais de 70% em 2017/18

Seção: Agronegócio

Texto de Agrolink




A produção de suco de laranja do Brasil na temporada 2017/18 (julho/junho) deverá atingir 1,2 milhão de toneladas (congelado e concentrado), aumento de 72 por cento ante a temporada anterior, fortemente afetada por uma quebra de safra, estimou nesta quinta-feira a CitrusBR.

O volume estimado pela associação da indústria exportadora inclui números de empresas associadas que atuam em São Paulo e Minas Gerais, não associados e também de Estados produtores menores, como Paraná e Rio Grande do Sul--Bahia e Sergipe, produtores menos relevantes, não integram os dados.

A demanda externa pelo suco do Brasil, maior exportador global, foi estimada em cerca de 1 milhão de toneladas pela CitrusBR, ante 894,7 mil toneladas de exportações no acumulado da safra 2016/2017, quando atingiram os menores volumes desde 1991, devido à baixa disponibilidade da fruta.

Dessa forma, os estoques finais de suco de laranja do Brasil da safra 2017/18 foram estimados em 207,6 mil toneladas, quase o dobro do verificado no fechamento da safra anterior, em 30 de junho de 2017, mas ainda historicamente baixos.

"Os estoques projetados para 2018, caso se confirmem, serão suficientes para repor níveis mínimos de armazenamento, mas ainda em patamares realmente baixos", disse o diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto, referindo-se ao histórico de volumes maiores estocados pelo setor, que ainda se recupera da baixa safra passada.

O volume de cerca de 207,6 mil toneladas, se confirmado, ainda seria o segundo menor da história, disse Netto.

A safra de laranja do cinturão citrícola do Brasil, em São Paulo e sudoeste de Minas Gerais, está estimada em 364,47 milhões de caixas de 40,8 kg, aumento de quase 50 por cento ante a fraca temporada anterior, segundo estimativa anterior do Fundecitrus.Em pouco mais de um ano de execução, o Programa Estadual de Gestão Sustentável da Agricultura Familiar já apresenta bons resultados. Resultados esses que fizeram parte da programação do Seminário Regional de Gestão Sustentável da Agricultura Familiar, realizado nesta quarta-feira (09/08), em Passo Fundo, no auditório do curso de Medicina Veterinária da Universidade de Passo Fundo (UPF), com a participação de mais de 170 pessoas.

Os objetivos do evento foram apresentar experiências e resultados já alcançados na região, por famílias participantes do Programa, bem como trazer informações e conhecimento com as palestras. Apresentaram famílias dos municípios de Vila Maria, Paim Filho e Cacique Doble.

Ricardo De Carli, do município de Vila Maria, representou sua família, que tem no leite a principal atividade econômica. Com a experiência em gestão que estão desenvolvendo na propriedade, que conta com 68 vacas em lactação, Ricardo trouxe detalhes sobre o sistema de produção, alimentação e manejo dos animais. Sobre novos investimentos, a família pretende construir uma estrutura para a fabricação de ração na propriedade, aumentar o rebanho leiteiro, instalar um biodigestor, entre outros. Ele contou que a mão de obra da propriedade é familiar, com revezamento de atividades quando necessário. "A tomada de decisão é feita sempre com o conhecimento e aprovação de todos e há total conhecimento dos custos de produção", disse Ricardo.

O case do município de Paim Filho, de agroindústria familiar, foi apresentada pelo técnico em agropecuária da Emater/RS-Ascar, Marcos Galeti. Ele falou sobre a experiência de sucesso na produção de ovos, realizada por Leonel Francisco Fortuna, sua esposa e seu filho. Hoje são 2.700 galinhas. Ele comprou a propriedade em 2014, com o aviário desativado. Iniciou com aves de postura em 2014. A implantação da agroindústria e sua legalização foi em 2015. "Quando fizemos o plano de gestão com a família, uma das prioridades era aderir ao Susaf. No início de 2017 conseguimos essa adesão. Hoje os ovos podem ser vendidos em qualquer município do Estado", contou Galeti. O técnico conta que antes do processo de Gestão, a produção de ovos era de 2.500 dúzias. Hoje, segundo ele, a produção é de 4.600 dúzias por mês. Galeti destaca que a gestão tem como fator importante dar subsídios ao produtor na tomada de decisão.

Do município de Cacique Doble veio a experiência da família Pasinato, contada pelo casal Alci e Silvana Pasinato com o apoio do engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, Sidnei Bacchi. Na propriedade com pouco mais de 27 hectares, a produção é diversificada. Soja, avicultura, pepino, tomate, repolho, pêssego e melancia são produzidos lá. Sobre a inserção no Programa Alci foi categórico, "quando fomos convidados, abraçamos com bastante convicção, por acreditar que a gestão na propriedade é indispensável. Às vezes tem uma atividade que não está sendo rentável ou tem que fazer de outra de maneira diferenciada", disse Alci

Além dos relatos, os participantes puderam conferir duas palestras. Um dos palestrantes, o professor e doutor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Lovois de Andrade Miguel, falou sobre gestão rural e indicadores econômicos para mensuração do desempenho das propriedades. Segundo ele, os dados que foram apresentados pelo produtores estavam muito próximos do que se tem trabalhado nas universidades e centros de pesquisa. "Isso prova o bom exemplo dessa aproximação e da interação da pesquisa e da extensão", avaliou. Ele ressaltou a participação do público jovem no evento. "A gestão é uma imposição dos novos tempos. Não consigo acreditar que a gente possa entrar no século XXI com todas essas mudanças ligadas, direta ou indiretamente, a globalização, com propriedades rurais que não tenham conhecimento nenhum em custos de produção, retorno econômico ao produtor. E os jovens estão conscientes disso, entendem que não podem produzir por produzir", frisou.

Já o professor da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul, Oberdan Teles da Silva, que palestrou sobre a importância de se fazer gestão e sobre empreendedorismo, explicou que o que está sendo feito é a aplicação de ferramentas de gestão ao meio rural. "É uma adaptação de ferramentas para gerar competitividade a unidade de produção familiar, porque ela é uma empresa. Por isso tem que qualificar, ter propósito, ter meta, gerar um resultado. O mundo hoje se move pelas inovações, pelos resultados", esclareceu.

Para o gerente regional da Emater/RS-Ascar, Oriberto Adami, para ter sucesso, e saber se está tendo sucesso, precisa-se de indicadores e o trabalho de gestão permite essa análise. Da mesma forma, o chefe de gabinete da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo, Osmar Redin, afirmou que as trocas de experiências servem de exemplo que dão sustentabilidade aos envolvidos com o Programa.


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